A agroecologia pode parecer nova para o mundo moderno, mas na verdade tem sido praticada há gerações pelos povos indígenas e pequenos agricultores da Mesoamérica, dos Andes e dos trópicos úmidos da América Latina. A agroecologia, em poucas palavras, é o casamento entre a ecologia e a agricultura — uma agricultura que usa os recursos da natureza de forma sustentável para produzir alimentos saudáveis e uma sociedade saudável.

Como o agricultor e produtor de pequena escala Efrain León colocou em sua apresentação à VII Conferência Latino-Americana de Agroecologia em Guayaquil, Equador, “Somos agroecologistas, temos feito o que eu estou ouvindo aqui, mas nós simplesmente não sabíamos o nome”.

Amostra de produtos tradicionais cultivados no Equador.

A conferência reuniu cerca de 900 participantes, de cientistas renomados a representantes do governo central e local, representantes de organizações não-governamentais e universidades e, mais importante, agricultores como o Sr. León, que era um dos cerca de cem agricultores/produtores de pequeno porte presentes, representando organizações parceiras ou associadas à Fundação Interamericana.

Um dos objetivos da conferência foi incentivar o diálogo sobre maneiras de promover a agroecologia. Algumas das necessidades identificadas para a América Latina foram:

  • Criar redes de comunicação e troca de conhecimentos
  • Proteger e distribuir sementes ancestrais
  • Promover a inclusão intergeracional, interétnica e intergênero nos processos de prática da agroecologia
  • Entender a prática da agroecologia como uma expressão cultural dos povos indígenas
  • Entender a dimensão estratégica da agroecologia na construção urgente da soberania alimentar.

O suporte da IAF à agroecologia e projetos relacionados dialoga com essas necessidades. Por exemplo, a Federación de Organizaciones Campesinas del Litoral (FECAOL) e o organizador da conferência facilitam um programa de intercâmbio de sementes no qual os agricultores podem compartilhar e plantar sementes ancestrais. A Asociación Nacional para el Fomento de la Agricultura Ecológica (ANAFAE) promove a comunicação e a troca de conhecimentos entre organizações agroecológicas em Honduras. E o Movimiento de Economía Social y Solidaria del Ecuador (MESSE) promove projetos e eventos de aprendizagem intergeracionais, multiétnicos e liderados por mulheres no norte do Equador.

Sementes ancestrais trocadas durante a conferência.

Um dos palestrantes da conferência, Miguel Altieri, agrônomo e entomologista chileno, além de professor de agroecologia da Universidade da Califórnia, Berkeley, observou que as bases da agroecologia moderna na América Latina começaram nas décadas de 1970 e 1980, descrevendo os conhecimentos e as práticas usadas pelos povos indígenas e agricultores de pequeno porte da região.

O presidente da conferência e coordenador de projeto da FECAOL, Richard Intriago, explicou que, desde então, o treinamento agroecológico direcionado aos agricultores de pequeno porte ajudou os líderes dessas comunidades a sustentar a agroecologia na região. A importância disso foi destacada pelo apresentador Eric Holt-Giménez, que observou que, apesar de cultivar menos de 30% das terras agrícolas disponíveis em todo o mundo, e mesmo sem as modernas técnicas de irrigação, os agricultores de pequeno porte fornecem 70% dos alimentos do mundo.

A conferência também abordou a perspectiva de gênero dentro da prática da agroecologia em um workshop intitulado “Recuperação da diversidade de sementes locais e seu ambiente cultural em comunidades rurais para promover a sustentabilidade na América Latina”. O workshop destacou a importância das mulheres como guardiãs das sementes nas comunidades agrícolas e, por extensão, a necessidade de proteger as sementes ancestrais para promover a agricultura sustentável.

A conferência, chamada “Agroecologia: Ciência, prática e movimento para alcançar a soberania alimentar”, foi apresentada pela Associação Científica de Agroecologia da América Latina (Sociedad Científica Latinoamericana de Agroecología – SOCLA).

Os membros da MESSE ofereceram seus artesanatos e produtos naturais na conferência.